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15 de abril de 2014

A sabedoria do caboclo




Já faz algum tempo que não posto aqui um conto bem legal. Como já disse em certa ocasião adoro contos, e nossa literatura  está recheada de alguns tão bons, mas tão bons que acho até desperdício ficarem escondidos dentro de um livro. Assim  a intenção aqui é divulgar alguns contos e seus respectivos autores e livros. Especialmente aqueles que temos em nossa biblioteca, é claro. Assim aqui vai mais um conto super legal. retirado do Livro: Diomira e o coronel Carreirão: A Sherazade do sertão, da autora Ivana Arruda Leite. Adoro este livro, de ótimos contos  e ainda com uma boa pitada de humor.  
E está história começa assim:


Era uma vez um homem muito rico, que ia passando por uma estrada com seu carrão último tipo, quando viu um caipira pescando na beira do rio. Parou e puxou conversa:
- O senhor mora aqui há muito tempo?
- A vida inteira.
- E esse rio dá muito peixe?
- Mais do que eu preciso.
- Por que o senhor não vende os peixes na cidade?
- Pra que?
- Ora, pra ter uma vida melhor, abri uma peixaria, ganhar dinheiro.
- Pra que?
- Pra comprar uma casa, um carro, torna-se um homem poderoso.
- Pra que?
- Pra viver sossegado, sem preocupação, e só fazer o que tiver vontade.
- E como é que o senhor acha que eu tô vivendo?




4 de fevereiro de 2013

Volta as aulas.

Inciando mais um ano letivo, não podia deixar de postar alguma coisa aqui no nosso blog, que ficou algum tempo sem nenhuma novidade, pois também  me encontrava de férias. E embora tenha prometido aos meus leitores algumas postagens durante o período de ferias, isto acabou não acontecendo no que peço desculpas. Mais aqui estamos novamente,  e nada melhor do que mais um conto bem legal, para aqueles que como eu curtem este gênero literário. 

A briga entre o sol e a lua
(Lenda  da África ocidental: costa do Marfim, Gana, Togo...)


Preparem uma panela e uma colher para bater e ouçam esta lenda antiga!
O Sole a Lua se apaixonaram e decidiram morar juntos. Durante um tempo foram muito felizes e tiveram muitos filhos: as estrelas. Pouco depois, a Lua não conseguiu resistir à tentação de ter um amante. O Sol descobriu e não ficou nada contente. Primeiro tentou falar com a Lua para lhe dizer que queria morar com ela, só com ela. Mas a Lua insistia que queria ser Livre e que não podia garantir que iria viver com ele para sempre. O Sol não aceitou isso e pediu à Lua que fosse embora de casa. Alguns de seus filhos decidiram ir embora com sua mãe Lua, e outros decidiram ficar com seu pai Sol. E continuamente brigavam entre si. Quando isso acontecia, as estrelas da Lua e as estrelas do Sol provocavam grandes tempestades cheias de raios e trovões. E só quando a Lua ficava farta de tanta briga, chamava seu amigo Arco-Íris para que estabelecesse um pouco de calma e de paz. As estrelas sabiam que quando viam o amigo da sua mãe vestido com aquelas cores tão vivas tinham que parar a briga. 
As vezes era a Lua que ficava zangada como o Sol porque este a espiava e dizia o que ela tinha ou não que fazer. E suas discussões eram tão fortes e eles ficavam brigado tão perto um do outro que provocavam um eclipse.
Se algum dia vocês virem um eclipse, a melhor maneira de parar com as brigas entre o Sol e a Lua é batendo panelas ou tambores. o mais forte que puderem. Porque se o Sol ficar zangado além da conta, ele pode desmanchar a Lua com seus raios, e a gente ficaria sem ela para sempre!

Este Conto foi retirado do Livro: O príncipe medroso e outros contos africanos da autora Anna Soler-Pont. O livro é recheado de contos interessantíssimos. Vale a pena ler!. 

Com este post gostaria ainda de dar as Boas Vindas a todos nossos alunos e professores a mais um ano letivo em nossa escola e em nossa biblioteca. Não deixem de nós acompanhar. Vamos fazer o possível para trazer mais novidades e movimentar um pouco mais este blog em 2013.


27 de agosto de 2012

Quando a sorte se disfarça.

 

  No país de Sung havia uma família famosa por sua generosidade. Durante várias gerações, todos viveram em paz e em tranqüilidade até que algo muito estranho aconteceu: uma vaca preta deu à luz um bezerro branco. O chefe da família interpretou o fato como um sinal de alerta e foi até o sábio Confucio perguntar-lhe sobre o significado desse nascimento. Confúcio respondeu:
     - Esse bezerro é sinal de felicidade.
     Um ano depois, o chefe da família ficou cego de um olho e, na mesma ocasião, a vaca negra deu a luz outro bezerrinho branco. Então ele pediu ao filho que falasse novamente com Confúcio.
     Ao ouvir a notícia do nascimento do segundo bezerro branco, Confucio repetiu:
     - Esse bezerro é sinal de felicidade
     Um ano mais tarde, sem nenhuma razão aparente, o jovem que consultara Confúcio ficou totalmente cego e passou a duvidar da sabedoria do mestre.
     Pouco depois, o país de Sung foi atacado por um poderoso exército. Todos os homens foram convocados a lutar. Porém a guerra foi perdida e os soldados que defendiam as terras, exterminados. Os únicos sobreviventes do país de Sung foram justamente o pai e seu filho cego.
     Assim que a paz se instalou novamente, pai e filho recuperaram a a visão. 
    Muitas vezes a sorte se disfarça.

Lieh tse

Conto retirado do Livro: O imperador Amarelo: Fábulas, lendas e ensinamentos dos antigos mestres chineses. Adaptado por Heloisa Prietro. Editora Moderna.
Fica ai está excelente sugestão para leitura.

26 de junho de 2012

A Serpente e o Vaga-lume

                    "As histórias são jardins secretos onde podemos brincar e sonhar transformando estrelas em brilhantes, pedras em brinquedos, bruxas em fadas. Reúnem a razão e a emoção, o lúdico e a fantasia, e nos fornecem pistas  importantes para o encontro com o SER ESSENCIAL, o nosso grande potencial criativo."   ( Nye Ribeiro)


Deste a antiguidade que os contos são usados como fonte de reflexão e ensinamentos. Em contato com sua riqueza simbólica identificamos nossos sentimentos, emoções, inquietações, dúvidas, relacionando-os com nossas experiências de vida.
Como este é um blog também dedicado a leitura estarei sempre publicando aqui alguns contos para aqueles que gostam de uma boa leitura.


 A Serpente e o vaga-lume

Numa antiga floresta indiana, um vaga-lume voava feliz e livre entre baixos arbustos. O pequeno inseto estava tão distraído com a paisagem que não percebeu que estava sendo seguido por uma serpente venenosa. De repente, o vaga-lume se deu conta do perigo, tentou fugir, mas a serpente o encurralou. O inseto  reluzente então parou de se movimentar, deu meia-volta, encarou a serpente e perguntou:
-Você vai me comer?
A serpente se aproximou um pouco mais e respondeu:
-Vou!
-Mas isso não faz sentido! Serpente comer vaga-lume? Tem certeza de que vai me comer? - perguntou novamente o vaga-lume.
A serpente deslizou lentamente em direção ao inseto e respondeu:
-Tenho certe absoluta!
-Então, antes de morrer, posso lhe fazer três perguntas? - solicitou o vaga-lume.
-Pode. Vai morrer mesmo... - respondeu a serpente agitando o chocalho na extremidade da cauda.
- Primeira pergunta: Eu faço parte da sua cadeia alimentar?
A serpente levantou até a altura do vaga-lume e respondeu:
-Não!
-Segunda pergunta: Eu lhe fiz algum mal?
A serpente se inclinou até quase tocar as antenas do inseto e respondeu:
-Não!
-Terceira e última pergunta: Então por que você quer me comer?
E a serpente, já sentindo o corpo do vaga-lume na língua respondeu:
_Porque não suporto o seu brilho!


Fonte: Brenman, Ilan. As 14 perolas da Índia. São Paulo: Brinque-book, 2008.